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Deputado Federal Floriano Pesaro explica a importância da pesquisa no Terceiro Setor

 "A vida sem ciência é uma espécie de morte", já disse o filósofo ateniense Sócrates. Ele estava certo, afinal a informação é configurada como algo imensurável. E essa afirmativa parece se harmonizar quando pensamos na pesquisa - fonte produtora de conhecimento para todas as áreas. 

Presente durante a vida acadêmica, ela requer do aluno-pesquisador habilidades como planejamento, organização e adequação às normas para o seu desenvolvimento. Após sair dos bancos da faculdade, a pesquisa está presente em todos os meios: nas empresas, na economia, nos órgãos públicos, nas tendências, e, claro, no Terceiro Setor. 

 Mas, qual é a importância da pesquisa para essas instituições de direito privado, sem fins lucrativos, em especial, e que têm, entre suas premissas, a conquista do bem-estar social individual, bem como da sociedade?

Na prática, o ato de pesquisar algo significa "ir além das aparências", produzindo conhecimentos adequados ao entendimento de uma determinada realidade. "Então, a pesquisa vem se desenvolvendo como uma excelente ferramenta de consciência construtiva e crítica". Essa é a visão do deputado federal Floriano Pesaro (PSDB/SP), que, em entrevista ao site da JGA Assessoria Contábil, garante: "toda pesquisa busca respostas a problemas investigados, então, ao ampliarmos as pesquisas no Terceiro Setor estaremos descobrindo, compreendendo e explicando os fatos que estão inseridos nesta realidade, sempre com o objetivo de aprimorar o bem-estar dos assistidos".

 

 Acompanhe a entrevista na íntegra:

Nas últimas décadas, o Terceiro Setor vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Estudos mostram que mais 12 milhões de pessoas estejam envolvidas de algum modo com essa área. Outro número que simboliza o crescimento desse universo é a quantidade de intuições privadas sem fins lucrativos existentes no País, mais de 290 mil, de acordo com a Pesquisa Fasfil 2010. Qual sua opinião sobre este fato?

O Terceiro Setor exerce no Brasil, há muito tempo, um papel fundamental na execução das políticas públicas, de modo não governamental. As entidades sociais chegam em territórios aonde o poder público tem dificuldade de alcançar e diagnosticar. Com o advento dos convênios com as Organizações Sociais, as chamadas OSs, o Terceiro Setor se expandiu passando a administrar equipamentos e serviços anteriormente geridos pelo Estado. 

O aumento da representatividade do Terceiro Setor vem abrindo margens para um olhar mais profissional sobre a área. Uma demonstração disso é que pela primeira vez, em 2007, o Instituto Brasileiro de Economia e Estatística - IBGE aferiu a importância do Terceiro Setor na economia brasileira. O senhor acredita que essa representatividade tende a crescer?

Sem dúvidas. A tendência do Brasil de hoje é a diminuição do tamanho do Estado, contudo não se pode diminuir o leque de serviços públicos oferecidos, principalmente nas áreas da saúde, assistência social e educação. Neste sentido, o Terceiro Setor terá cada vez mais importância na economia ao assumir essas funções tradicionalmente estatais.

Qual é o principal desafio em se produzir pesquisas para o Terceiro Setor?

Existia uma grande dificuldade que era o vácuo leal para a atuação do Terceiro Setor. Quando existia previsão legal, não era clara. Isso foi superado com a Lei 13.019, de 31 de julho de 2014, o chamado Marco Legal das Organizações Sociais, que veio nortear legalmente a atuação dessas entidades. Creio que, desde então, estamos tendo mais facilidade para avaliar o desempenho do Terceiro Setor.

A produção de pesquisas pode ser considerada um sustentáculo para o setor?

Sim, sem objeções. O monitoramento e a avaliação dos serviços desempenhados pelo Terceiro Setor são fundamentais para aumentar a importância do segmento e fazer com que este cresça e ganhe credibilidade perante o Estado e a sociedade. 

Como a Contabilidade pode ser útil para o desenvolvimento de pesquisas que tragam melhorias ao Terceiro Setor?

De saída, a Contabilidade é fundamental para qualquer organização que queira gozar de credibilidade na sua atuação. Quando falamos de organizações que atuam em parceria com o Poder Público isso se torna condição sine qua non. Uma boa Contabilidade garante a atuação em conformidade com as normas vigentes e traze como benefícios credibilidade e confiança para empresas, órgãos públicos e, claro, para o Terceiro Setor.

Podemos afirmar que, ao se cristalizar uma metodologia de captação e organização de dados do Terceiro Setor, essa contribuição possa ser decisiva para o fortalecimento, evolução e aperfeiçoamento do segmento, beneficiando as populações mais necessitadas, o setor contábil e a macroeconomia, uma vez que permitirá o conhecimento das estatísticas reais?

Acho que já está mais do que na hora de desenvolvermos uma metodologia nesses moldes. O Terceiro Setor cresceu muito e tende a aumentar essa participação na economia nacional. Considerando essa tendência, ter sua efetividade mensurada já seria importante, ainda mais quando percebemos o impacto social que a atuação do Terceiro Setor causa nas  populações mais vulneráveis.

 

Entrevista: Danielle Ruas
De León Comunicações
Publicado em 21/02/2019